Integrar e Renovar – para se entregar …


Através da química, física e matemática, temos a exata noção de sermos uma matéria que ocupa um espaço. Somos um ponto composto por células, átomos, moléculas, etc… Somos seres que precisam se interagir e que dependem um do outro para se sentirem indivíduos, precisamos nos conectar ao outro constantemente, e nessa interação somos PARTE DO TODO – enquanto indivíduos pertencentes ao Cosmos, onde tudo que eu faço, penso ou desejo cria uma energia que interfere no TODO UNIVERSAL – no cosmos, gerando uma reação em cadeia, que pode ser positiva ou não; depende da energia que lhe foi dirigida.

Somos o TODO enquanto seres únicos com nossos sistemas em funcionamento e onde nossos órgãos interagem um com o outro a todo instante.

Quando pensamos em PARTE, nos damos conta de nossos sentimentos, valores, aptidões, desejos, emoções, intuições e por muitos momentos nos colocamos a disposição do Universo para auxiliá-lo, porém muitas vezes sem acreditarmos realmente na força que temos e no poder de influência que nos foi conferido. Vemos e nos sentimos como PARTE do TODO, mas não acreditamos em nosso potencial criativo, em nossas intuições ou insights.

Precisamos por várias vezes que o outro nos referencie, nos diga se estamos certos ou não, e assim nos enfaixamos… e não acreditamos em nós mesmos….

Quando criança tínhamos a necessidade de “Pertencer” à família, comunidade, escola e quando isso nos acontecia, fazia com que nos sentíssemos isolados, frustrados, sem amor e com a sensação de Não Fazer Parte ou de Não Pertencer, e foi com essa sensação que criamos vários mecanismos para nos defender, então podemos ter decidido que me aceitando ou não, teriam que me engolir pois não sentiríamos mais a dor da rejeição.

Nessa posição tomamos várias decisões infantis buscando essa “compensação”, então podemos ter “decidido adoecer”, para termos este amor através da preocupação, da atenção necessária; podemos ter resolvido ser o “encrenqueiro” – aquele que ao aparecer qualquer cosia de errado, os pais já sabiam de antemão exatamente quem foi, e assim não podiam deixa-lo sozinho sequer por um minuto ou então decidimos ser os “bonzinhos” – dizendo sim mamãe, sim papai a todo instante, mesmo que esse não fosse nosso real desejo, mas pelo menos assim não seríamos mais rejeitados, não sentiríamos nem a sensação de não pertencer – não precisando lidar com esse sentimento que a criança não quer mais.

E assim, crescemos e colocamos em nossas vidas algumas formas de ver o mundo de maneira que não nos confrontássemos mais com aquelas situações infantis. Deixamos na nossa “Sombra” todos aqueles sentimentos que de uma maneira ou de outra, acreditávamos que se fosse manifestado não permitiria que fizéssemos parte, não seríamos amados, não nos aceitariam, e assim, deixamos na sombra nossos sentimentos de Raiva, Arrogância, Inveja, Ódio, Intolerância, Ganância e também nossos talentos ou sentimentos bons, que em determinados momentos achamos melhor dizer que não tínhamos em nós: e assim crescemos negando sua existência…

Colocamos no outro todos esses sentimentos que negamos existir em nós, fazendo com que quem “pegou” leve o seu fardo e o meu…. e assim, quem não pode pertencer é o outro e não eu – eu sou bonzinho – quem tem raiva é o outro e não eu… o outro é invejoso, eu não… Quando nos damos conta de que somos parte do todo, devolvemos a cada um a sua “parte” tiramos a sombra do “todo” e dividimos entre as partes e, quando dividimos, temos a chance de olhar e integrar; quase insistimos em não enxerga esse nosso lado, não há como modificar e continuamos nos sentindo senhores da bondade e das virtudes…

Até que de repente surge alguém que nos coloca em xeque… Enquanto educadores, temos sempre estes espíritos que nos contestam para nos colocar defronte das nossas próprias verdades e por muitas vezes temos dificuldade em lidar com estas crianças – Como pode afinal de contas me desafiar desse jeito, quem pensa que é? E aí, com seu jeito infantil ou diferente, nos faz por muitas vezes quebrar nossos conceitos, barreiras e preconceitos que nos levaram ao congelamento, fazendo-nos perceber que há um outro modo de ser ou ver a mesma coisa.

Quando temos em nossa frente uma criança ou adulto que nos incomoda, às vezes pela simples presença, tentamos enxergar nela a nossa sombra, vejamos o que essa pessoa tem que eu tenho igual…

O que me incomoda nela e onde eu faço ou já fiz igual, comigo ou com os outros….

Quando temos a noção da sombra interferindo, retiramos do outro essa energia que é nossa e deixamos com ele somente o que é dele e ao fazermos isso, muitas vezes nos damos conta de que o que nos incomodava era o excesso que ele carregava, e que não era dele, era meu…

Ao lidarmos com situações difíceis entre educador e aluno, pais e filhos, marido e mulher, patrão e empregado, é necessário que antes de reclamar do outro, retiremos dele o que é nosso e não assumimos…. ao integrarmos nossas partes, temos o poder de transmutar sentimentos, emoções, comportamentos e essas mudanças provocam alterações em nossas células, órgãos e em nosso organismo com um todo, quando nos propomos a renascer através da integração, entramos em comunhão com o Universo e nosso desejo de mudar é auxiliado pelos espíritos que nos conduzem no sentido de que aconteça a cada um a mudança que lhe for melhor, há toda uma programação, pois cada mudança interior movimenta um tipo diferenciado de energia, provocando alterações no TODO. Integrando as nossas partes, formamos o nosso todo e com ele, auxiliamos na mudança e integração do Cosmo.

Hoje, pensando na Primavera que se inicia, no período de prosperidade, renovação e mudanças, pensamos em trazer essa reflexão.

Cada um dos que aqui se encontram são PARTE, que contém sombras e que influenciam o TODO, ficando a proposta de integrar nossas pares mais reprimidas, para que possamos dar o melhor de nós, aos nossos filhos, alunos, companheiros e a principalmente a nós mesmos.

INTEGRANDO, TEMOS COMO NOS ENTREGAR AO OUTRO POR INTEIRO, sem julgar, condenar ou criticar, somente nos aceitando, aceitamos o outro por inteiro, com virtudes e defeitos, simplesmente como seres humanos que somos, imperfeitos mas fazendo e sendo PARTE ESSENCIAL DO TODO UNIVERSAL.

Que Deus nos abençoe a todos.

Eunice Porto
Psicóloga graduada pela Universidade Braz Cubas, pós-graduada em Arte Integrativa pela Universidade Anhembi-Morumbi, especialização em atendimento infantil e adolescentes pelo Instituto Gestalt. Formação em Abordagem Integral - Instituto Evoluir - Constelação Familiar com Bert Helinger, Terapia Comunitária pela Abrape e Especialização Internacional em Constelação Organizacional e Consultoria Sistemica, Facilitadora de Diálogo de Vozes com Tony Weller.